Tuk-Tuks eléctricos a lítio

Tuk-tuks eléctricos a lítio


Autor: Alfredo Lavrador |  Jornal Observador

Bom para o ambiente e bom para a carteira. Já é possível optimizar os tuk-tuks, dotando-os com motor eléctrico, baterias da Tesla e tecnologia portuguesa, que permite controlar o veículo à distância.

Uma frota de 11 tuk-tuks vai trocar as baterias de chumbo por iões de lítio, da Tesla, ganhando em peso, autonomias e capacidade de gestão de energia, à custa de soluções desenvolvidas em Portugal.

Que história é esta dos tuk-tuks eléctricos?

Os primeiros tuk-tuks a transportar turistas nas principais cidades portuguesas recorriam a velhos motores a gasolina – alguns também a gasóleo –, poluentes e gastadores, além de exibirem uma tendência para avariar acima da média.

Por pressão das autoridades camarárias, as frotas destes veículos começaram a substituir os fumarentos motores de combustão por unidades eléctricas, que simultaneamente ofereciam ao operador a vantagem de acarretar menores custos de exploração. Daí que muitos tenham sido electrificados, ainda que recorrendo a baterias menos sofisticadas, de chumbo – mais pesadas, mais sensíveis às baixas temperaturas e com um período de vida útil mais reduzido.

Este autocarro de 12 passageiros foi o primeiro projecto da EVolution, no que respeita à conversão de chumbo para lítio.

Este panorama explica o interesse das empresas que exploram este tipo de veículos de transporte público em ter acesso a baterias mais modernas e eficientes e, neste capítulo, as melhores são as que a Tesla utiliza nos seus Model S e X, com a EVolution, do grupo ZEEV, a realizar a transformação.

 

Qual o ganho e os custos face ao motor de combustão?

Transformar um tuk-tuk com motor de combustão num modelo eléctrico é mais complexo e caro, mas é igualmente a conversão que oferece mais vantagens, ao ser a que assegura um maior ganho nos custos de exploração.

Toda a mecânica a gasolina ou diesel desaparece, para o seu lugar ser ocupado por um motor eléctrico, facilmente mais potente e com maior força, apesar de ser mais pequeno, leve e barato. O depósito de combustível também sai, no que é compensado pela entrada da bateria de iões de lítio, cuja dimensão e capacidade é determinada pela autonomia pretendida.

O custo desta transformação ronda 11.900€ (acrescido de IVA), com a EVolution a fornecer toda a documentação necessária à nova homologação. Se o valor é elevado, no rol das vantagens encontram-se o maior silêncio, os custos de utilização inferiores (com a electricidade a ser substancialmente mais barata do que a gasolina necessária para percorrer o mesmo número de quilómetros) e a possibilidade de aceder, sem limitações, a algumas zonas urbanas.

 

Quais as vantagens das baterias de lítio face às de chumbo?

As baterias de chumbo montadas em alguns dos tuk-tuks são similares às que se encontram nos automóveis convencionais com motor de combustão, para tratar de problemas como a iluminação e ignição, entre outras. Porém, quando utilizadas em funções de tracção, as baterias de chumbo não podem ser do tipo seladas ou sem manutenção. Razão pela qual o seu manuseamento sistemático, para repor níveis de electrólito, leva a algum derrame de produto altamente corrosivo, que deteriora e desfigura os veículos.

A transformação é mais fácil e não carece de homologação posterior, pois o tuk-tuk continua a ser eléctrico, o que muda apenas é o tipo de acumuladores, pelo que a EVolution prevê apenas uma semana (contra duas na conversão de um modelo com motor de combustão) e um custo de 5.900€. Enquanto as baterias de chumbo, que duram no máximo ano e meio a dois anos e custam cerca de 2.000€, registam 50% de degradação da capacidade ao fim de 500 ciclos, as baterias de iões de lítio perdem 20% em 2.000 ciclos. Para cúmulo, o chumbo – ao contrário do lítio – não garante uma estabilidade da energia disponível quando se aproxima do final da carga, o que limita ainda mais a autonomia.

 

Fazer um Tesla em ponto pequeno

A EVolution não se limita a adquirir módulos de baterias da Tesla no mercado e a associá-los a motores eléctricos. Algum do trabalho que realiza faz recordar o que a Tesla faz com os seus próprios veículos, permitindo uma comunicação constante do tuk-tuk com a empresa que executou a conversão, o que lhe permite antecipar a avaria, ou detectá-la mais rapidamente, para que o veículo reduza ao mínimo a interrupção do seu serviço regular.

Além de incluir a capacidade de comunicação, os técnicos da EVolution constroem o seu próprio sistema de gestão da bateria (Battery Management System, BMS), o que lhes permite controlar desde a potência do motor à forma como acelera ou regenera, passando até pelos limites de segurança da bateria. O objectivo é tornar o tuk-tuk mais seguro e menos sujeito à degradação por má utilização, ou menos cuidada.

O tuk-tuk passa a ser alimentado por três módulos de um pack de baterias de um Model S (um P100D tem 16 módulos), o suficiente para garantir uma autonomia de 100 km, que excede o necessário para a operação diária deste tipo de veículos

Apesar de muito mais pequenos, os motores eléctricos facilmente fornecem mais potência e, sobretudo, mais força do que os seus congéneres a gasolina, pelo que é necessário modular a sua capacidade de aceleração, não só para proteger os diferenciais e as transmissões, como para evitar perdas de tracção, que poderiam ser divertidas para o condutor, mas não certamente para os turistas que vão lá atrás. E é este tipo de controlo sobre a mecânica dos veículos eléctricos que torna tão interessante o trabalho das empresas que se dedicam à conversão, e que recorrem a tecnologia própria para optimizar os BMS dos veículos que produzem.

As vantagens da conversão podem ser sintetizadas em:

  • Manutenção mais simples
  • Economia na operação do veiculo
  • Amigo do ambiente, sem perder o prazer de condução

Interessado em converter o seu veiculo turístico?